sábado, 10 de agosto de 2013


  1. Resenha Crítica do filme “O Fazendeiro e Deus”

O filme “o Fazendeiro e Deus”, supostamente baseado em fatos reais, narra a história de Angus Buchan (Frank Rautenbach) e de sua família, tendo como cenário a África do Sul, inserta na crise social do apartheid. No drama o personagem e sua família se vêm insertos em uma crise financeira e outros problemas concebidos como não resolúveis, tendo eles fuscado na fé um modo de superação dos obstáculos que lhes foram impostos pela vida.
Algumas cenas dos filme remontam a aspectos de alguns problemas de cunho religioso, notadamente àqueles concernentes as disputas entre entidades e a temática da teologia da prosperidade.
O drama se dá em meio ao regime da segregação social entre brancos e negros que vigorou na Africa do Sul durante anos, fruto do sistema de colonização inglesa. A referida crise social deixou marcas incontestes na organização das religiões, podendo ser percebida a completa ausência de negros nos atos religiosos. Não se vislumbra, durante o filme, que qualquer negro tenha participado de algum culto religioso, a não ser durante o evento que buscou congregar toda a população local em torno da problemática da violência e da escassez de água em função de condicionantes meteorológicos.
A disputa entre entidades religiosas é outra tônica do filme, expressa na grande dificuldade enfrentada pelo personagem em congregar líderes e seguidores das várias religiões existentes na comunidade local. Tal situação problema consiste na ideia de algumas religiões no sentido de monopolizar a Deus ou verdades acerca da religião, o que ainda hoje é motivo de grande discórdia social, de modo que fé no transcendente deixa de ser um elo de união entre os povos e faze-se motivo de contendas e derramamento de sangue.
Outra situação verificada no filme e que consiste em problema que se tem mostrado sempre atual, diz respeito a fé como solução mágica para os problemas financeiros e afetivos dos fieis, o que se convencionou denominar teologia da prosperidade. Nela a relação com um ser transcendente deixa de ser àquele desapegada, onde se busca o ser supremo pelo que Ele é, sendo uma relação baseada no interesse onde se busca a Deus pelo que Ele pode oferecer.
A bem da verdade a teologia da prosperidade, inserta na ideologia do capitalismo neoliberal, constitui forte condicionante de sedação social e manutenção do status quo de injustiça e exploração entre os serem humanos. Foi por isso que Karl Marx afirmou ser a “religião o ópio do povo” e que Leonardo Boff, famoso estudioso da teologia latino-americana da libertação, afirmou ser um condicionante psicotrópico nos seguintes termos:
“Eles continuamente pecam contra o segundo mandamento, que é usar o santo nome de Deus em vão e apresentam um cristianismo que é um pequeno lexotan para acalmar as pessoas”
A teologia da prosperidade contrasta profundamente com a imagem do Deus Libertador relevado no êxodo e em toda a Bíblia; àquele que não promove libertação egoística de indivíduos, mas que inspira a homens e mulheres a promoverem libertações sociais das estruturas que geram miséria.
Também constata com a figura de Jesus histórico que diz que “veio para anunciar a boa notícia aos pobres”, que nada mais é do que o fim dos condicionantes da pobreza, tendo por isso sido morto não como um líder religioso por ordem de um tribunal também religioso, mas como um subversivo político. Sobre o Jesus histórico, suas opções e atuação profética em prol de mudanças nas estrutura política e sociais afirma o teólogo e religiosos dominicano Frei Beto:
“Em relação a um segundo dado, eu sempre afirmo que nós, os cristãos, somos discípulos de um prisioneiro político: Jesus não morreu por uma enfermidade na cama, nem por um acidente com um camelo, numa esquina de Jerusalém, morreu como muitos companheiros na Argentina e Brasil. Ele foi encarcerado, torturado, levado a julgamento e condenado a pena de morte na cruz. Então, dizer que Jesus não se meteu na política é uma ingenuidade, sobretudo, porque naquele momento a divisão cartesiana entre religião e política, que existe hoje, não existia; quem tinha poder religioso, tinha poder político, quem tinha poder político, tinha poder religioso.”
A teologia da prosperidade segue a lógica do capitalismo neoliberal de incentivo ao desenvolvimento individual de acumulação de riquezas. Mas num cenário de recursos sempre limitados onde há acumulo


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