Resenha Crítica do filme “O Fazendeiro e Deus”
O
filme “o Fazendeiro e Deus”, supostamente baseado em fatos reais,
narra a história de Angus
Buchan (Frank Rautenbach) e de sua família, tendo como cenário a
África do Sul, inserta na crise social
do apartheid.
No drama o personagem e sua família se
vêm insertos em uma crise financeira e outros problemas concebidos
como não resolúveis, tendo eles fuscado na fé um modo de superação
dos obstáculos que lhes foram impostos pela vida.
Algumas
cenas dos filme remontam a aspectos de alguns problemas de cunho
religioso, notadamente àqueles concernentes as disputas entre
entidades e a temática da teologia da prosperidade.
O drama
se dá em meio ao regime da segregação social entre brancos e
negros que vigorou na Africa do Sul durante anos, fruto do
sistema de colonização inglesa. A referida crise social deixou
marcas incontestes na organização das religiões, podendo ser
percebida a completa ausência de negros nos atos religiosos. Não se
vislumbra, durante o filme, que qualquer negro tenha participado de
algum culto religioso, a não ser durante o evento que buscou
congregar toda a população local em torno da problemática da
violência e da escassez de água em função de condicionantes
meteorológicos.
A
disputa entre entidades religiosas é outra tônica do filme,
expressa na grande dificuldade enfrentada pelo personagem em
congregar líderes e seguidores das várias religiões existentes na
comunidade local. Tal situação problema consiste na ideia de
algumas religiões no sentido de monopolizar a Deus ou verdades
acerca da religião, o que ainda hoje é motivo de grande discórdia
social, de modo que fé no transcendente deixa de ser um elo de união
entre os povos e faze-se motivo de contendas e derramamento de
sangue.
Outra
situação verificada no filme e que consiste em problema que se tem
mostrado sempre atual, diz respeito a fé como solução mágica
para os problemas financeiros e afetivos dos fieis, o que se
convencionou denominar teologia da prosperidade. Nela a relação com
um ser transcendente deixa de ser àquele desapegada, onde se busca o
ser supremo pelo que Ele é, sendo uma relação baseada no interesse
onde se busca a Deus pelo que Ele pode oferecer.
A
bem da verdade a teologia da prosperidade, inserta na ideologia do
capitalismo neoliberal, constitui forte condicionante de sedação
social e manutenção do status
quo
de injustiça e exploração entre os serem humanos. Foi por isso que
Karl Marx afirmou ser a “religião o ópio do povo” e que
Leonardo Boff, famoso estudioso da teologia latino-americana da
libertação, afirmou ser um condicionante psicotrópico nos
seguintes termos:
“Eles
continuamente pecam contra o segundo mandamento, que é usar o santo
nome de Deus em vão e apresentam um cristianismo que é um pequeno
lexotan para acalmar as pessoas”
A
teologia da prosperidade contrasta profundamente com a imagem do Deus
Libertador relevado no êxodo e em toda a Bíblia; àquele que não
promove libertação egoística de indivíduos, mas que inspira a
homens e mulheres a promoverem libertações sociais das estruturas
que geram miséria.
Também
constata com a figura de Jesus histórico que diz que “veio para
anunciar a boa notícia aos pobres”, que nada mais é do que o fim
dos condicionantes da pobreza, tendo por isso sido morto não como um
líder religioso por ordem de um tribunal também religioso, mas como
um subversivo político. Sobre o Jesus histórico, suas opções e
atuação profética em prol de mudanças nas estrutura política e
sociais afirma o teólogo e religiosos dominicano Frei Beto:
“Em
relação a um segundo dado, eu sempre afirmo que nós, os cristãos,
somos discípulos de um prisioneiro político: Jesus
não
morreu por uma enfermidade na cama, nem por um acidente com um
camelo, numa esquina de Jerusalém, morreu como muitos companheiros
na Argentina e Brasil. Ele foi encarcerado, torturado, levado a
julgamento e condenado a pena de morte na cruz. Então, dizer que
Jesus
não
se meteu na política é uma ingenuidade, sobretudo, porque naquele
momento a divisão cartesiana entre religião e política, que existe
hoje, não existia; quem tinha poder religioso, tinha poder político,
quem tinha poder político, tinha poder religioso.”
A
teologia da prosperidade segue a lógica do capitalismo neoliberal de
incentivo ao desenvolvimento individual de acumulação de riquezas.
Mas num cenário de recursos sempre limitados onde há acumulo
Amei sua visão sobre o filme. Gratidão
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