sábado, 10 de agosto de 2013

O presente blog foi idealizado pelos alunos do curso de pós-graduação lato senso em Direito Administrativo e Gestão Publica pela Universidade Regional do Cariri- URCA, com a finalidade de concluir a disciplina Didática do Ensino Superior ministrada pelo professor Dr. Iranilson Buriti. Nesse contexto, nos foi proposto que a partir da escolha de um filme, trabalhássemos uma determinada temática e criássemos o presente blog. inicialmente, escolhemos o filme " O Fazendeiro e Deus" para trabalharmos a temática da religiosidade levando em consideração o ponto de vista do filme e o ponto de vista critico. 

Alunos:

Fernanda Maia 
Francisco Antonio
Jose Polycarpo
Liana Bastos
Pollyanna Belem
Rennata Leite
Roniclaudio Tasso 


O  filme O fazendeiro e Deus"  é um drama e sua classificação etária é de 16 anos contando com tempo de duração de 116 minutos, sendo que possui um incrível elenco entre eles Frank Rautenbach e Jeanne Nielson. Esse filme é baseado em fatos reais um dos fatores que acaba mais chamando atenção é a sua forma rústica e original na qual ele prega a fé em Cristo e não uma religião, sua fazenda acabou tornando-se um ministério onde emprega trabalhadores locais, também criou um orfanato que acolhe cerca de 200 crianças órfãs e vitimas da AIDS, recomendo assistirem este filme até mesmo para uma reflexão.

Elenco

Frank Rautenbach ... Angus Buchan
Jeanne Neilson ... Jill Buchan
Hamilton Dlamini ... Simeon
Sean Cameron Michael ... Fergus Buchan
Casper Badenhorst ... Koos
Matthew Dylan Roberts ... Percy
Anton Treurnich ... Steyn
Candice D'Arcy ... Joanne
Morné Theunissen ... John
Rochelle Buchan ... Morag



Sinopse do filme “O fazendeiro e Deus”

O filme, baseado em uma história real, gira em torno da vida do fazendeiro Angus Buchan, homem de origem escocesa que decide mudar-se da sua fazenda em Zâmbia para a África do Sul em razão das adversidades políticas atravessadas pela Zâmbia. Ao se estabelecer na África do Sul, o fazendeiro e sua família percebem que para prosperar naquela terra é preciso muito esforço e trabalho e que, muitas vezes, as dificuldades serão ainda maiores, tendo em vista que os novos habitantes não falam sequer o dialeto dos nativos da região que representam a mão de obra a ser utilizada na fazenda. Ademais, apesar de a história se desenvolver em um período mais atual, depois do regime do apertheid , ainda é perceptível o ranço do preconceito e da segregação racial que vigorava na região.
Diante das dificuldades enfrentadas na nova fazenda e da ansiedade por vê-la prosperando, Angus torna-se uma pessoa cada vez mais difícil de se lidar, inclusive para sua família. No trato com os funcionários, o jovem fazendeiro se mostra extremamente autoritário e pouco disponível tanto para ensinar, quanto para aprender aquilo que é necessário para o trabalho diário.
Nesse contexto, a esposa de Angus mostra-se bastante preocupada com as atitudes do esposo e o incentiva a frequentar uma igreja local, na esperança de trazer mais leveza a vida do esposo. Em uma dessas visitas a igreja, Angus se sente tocado pela palavra de Deus e passa a colocar a fé em Jesus Cristo no centro de todas as coisas da sua vida.
À partir deste momento, a vida de Angus e de sua família é transformada substancialmente, de forma que progride a olhos vistos a cada dia que passa. Em agradecimento, Angus divide seu tempo entre o trabalho da fazenda e a pregação da palavra de Deus, a fim de que outras pessoas experimentem as maravilhas de Deus em suas vidas.
O final do filme é marcado por um acontecimento emblemático: Angus resolve plantar batatas mesmo atravessando uma violenta seca e tendo pleno conhecimento de que a cultura da batata é uma das que mais necessita de água para dar bons resultados, a despeito disso Angus confia plenamente na providência divina e prossegue com seus planos e é extremamente bem sucedido na sua colheita, demonstrando na prática a aplicação do velho ditado “ a fé move montanhas”.
   

  1. Resenha Crítica do filme “O Fazendeiro e Deus”

O filme “o Fazendeiro e Deus”, supostamente baseado em fatos reais, narra a história de Angus Buchan (Frank Rautenbach) e de sua família, tendo como cenário a África do Sul, inserta na crise social do apartheid. No drama o personagem e sua família se vêm insertos em uma crise financeira e outros problemas concebidos como não resolúveis, tendo eles fuscado na fé um modo de superação dos obstáculos que lhes foram impostos pela vida.
Algumas cenas dos filme remontam a aspectos de alguns problemas de cunho religioso, notadamente àqueles concernentes as disputas entre entidades e a temática da teologia da prosperidade.
O drama se dá em meio ao regime da segregação social entre brancos e negros que vigorou na Africa do Sul durante anos, fruto do sistema de colonização inglesa. A referida crise social deixou marcas incontestes na organização das religiões, podendo ser percebida a completa ausência de negros nos atos religiosos. Não se vislumbra, durante o filme, que qualquer negro tenha participado de algum culto religioso, a não ser durante o evento que buscou congregar toda a população local em torno da problemática da violência e da escassez de água em função de condicionantes meteorológicos.
A disputa entre entidades religiosas é outra tônica do filme, expressa na grande dificuldade enfrentada pelo personagem em congregar líderes e seguidores das várias religiões existentes na comunidade local. Tal situação problema consiste na ideia de algumas religiões no sentido de monopolizar a Deus ou verdades acerca da religião, o que ainda hoje é motivo de grande discórdia social, de modo que fé no transcendente deixa de ser um elo de união entre os povos e faze-se motivo de contendas e derramamento de sangue.
Outra situação verificada no filme e que consiste em problema que se tem mostrado sempre atual, diz respeito a fé como solução mágica para os problemas financeiros e afetivos dos fieis, o que se convencionou denominar teologia da prosperidade. Nela a relação com um ser transcendente deixa de ser àquele desapegada, onde se busca o ser supremo pelo que Ele é, sendo uma relação baseada no interesse onde se busca a Deus pelo que Ele pode oferecer.
A bem da verdade a teologia da prosperidade, inserta na ideologia do capitalismo neoliberal, constitui forte condicionante de sedação social e manutenção do status quo de injustiça e exploração entre os serem humanos. Foi por isso que Karl Marx afirmou ser a “religião o ópio do povo” e que Leonardo Boff, famoso estudioso da teologia latino-americana da libertação, afirmou ser um condicionante psicotrópico nos seguintes termos:
“Eles continuamente pecam contra o segundo mandamento, que é usar o santo nome de Deus em vão e apresentam um cristianismo que é um pequeno lexotan para acalmar as pessoas”
A teologia da prosperidade contrasta profundamente com a imagem do Deus Libertador relevado no êxodo e em toda a Bíblia; àquele que não promove libertação egoística de indivíduos, mas que inspira a homens e mulheres a promoverem libertações sociais das estruturas que geram miséria.
Também constata com a figura de Jesus histórico que diz que “veio para anunciar a boa notícia aos pobres”, que nada mais é do que o fim dos condicionantes da pobreza, tendo por isso sido morto não como um líder religioso por ordem de um tribunal também religioso, mas como um subversivo político. Sobre o Jesus histórico, suas opções e atuação profética em prol de mudanças nas estrutura política e sociais afirma o teólogo e religiosos dominicano Frei Beto:
“Em relação a um segundo dado, eu sempre afirmo que nós, os cristãos, somos discípulos de um prisioneiro político: Jesus não morreu por uma enfermidade na cama, nem por um acidente com um camelo, numa esquina de Jerusalém, morreu como muitos companheiros na Argentina e Brasil. Ele foi encarcerado, torturado, levado a julgamento e condenado a pena de morte na cruz. Então, dizer que Jesus não se meteu na política é uma ingenuidade, sobretudo, porque naquele momento a divisão cartesiana entre religião e política, que existe hoje, não existia; quem tinha poder religioso, tinha poder político, quem tinha poder político, tinha poder religioso.”
A teologia da prosperidade segue a lógica do capitalismo neoliberal de incentivo ao desenvolvimento individual de acumulação de riquezas. Mas num cenário de recursos sempre limitados onde há acumulo